Sexta-feira, 09 de outubro de 2026
Política

Derrota acende alerta no PT: partido muda estratégia para tentar recuperar Lula em Minas

Após Flávio Bolsonaro vencer no estado no primeiro turno, direção petista decide regionalizar campanha, aumentar presença digital e mobilizar deputados e lideranças locais.

Derrota acende alerta no PT: partido muda estratégia para tentar recuperar Lula em Minas

A derrota de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais provocou uma mudança de estratégia dentro do partido para o segundo turno das eleições presidenciais.

Nesta sexta-feira (9), dirigentes e lideranças petistas trabalham com um novo plano: regionalizar a campanha, ampliar a presença nas redes sociais e dar mais autonomia para deputados e lideranças locais buscarem votos em diferentes regiões do estado.

A reorganização ocorre depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Lula em Minas.

Flávio conquistou 48,24% dos votos válidos no estado, enquanto Lula recebeu 43,33%. A diferença foi de aproximadamente 588 mil votos.

PT encerra cobrança interna por “corpo mole”

Nos últimos dias, integrantes do partido discutiram internamente se candidatos petistas teriam concentrado esforços excessivamente em suas próprias campanhas proporcionais, deixando a candidatura presidencial em segundo plano.

Segundo informações publicadas nesta sexta, a direção mineira decidiu superar essa discussão e concentrar esforços no segundo turno.

A nova estratégia envolve a divisão do estado por regiões e a atuação direta de parlamentares eleitos, candidatos e lideranças partidárias nos municípios onde possuem maior influência.

Redes sociais entram no centro da reação

Outra preocupação é a disputa digital.

A campanha pretende utilizar deputados recém-eleitos e influenciadores ligados ao campo da esquerda para aumentar alcance e engajamento nas redes.

Entre os nomes incorporados à estratégia está a deputada federal eleita Ana Elisa, de 21 anos, que recebeu mais de 524 mil votos em Minas e possui forte presença nas plataformas digitais.

A tentativa é reduzir a vantagem digital conquistada por candidatos e influenciadores ligados ao campo da direita.

Minas tem peso especial

Minas Gerais possui o segundo maior eleitorado do país, atrás apenas de São Paulo.

Além do tamanho eleitoral, o estado historicamente possui forte peso simbólico nas eleições presidenciais.

No primeiro turno deste ano, Flávio conseguiu vencer em nove dos dez maiores colégios eleitorais mineiros. Lula terminou à frente apenas em Juiz de Fora.

Em Betim, o candidato do PL também saiu na frente.

Flávio recebeu 113.009 votos, equivalentes a 48,72% dos válidos, enquanto Lula teve 95.603 votos, ou 41,21%.

A recuperação nas grandes cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte aparece, portanto, como um dos principais desafios do PT neste segundo turno.

Direita também prepara ofensiva

Do outro lado, Flávio Bolsonaro não pretende apenas defender o resultado conquistado.

A campanha do PL também decidiu reforçar agendas em Minas e conta com apoio de lideranças eleitas no estado.

Com os dois lados olhando para o mesmo território, Minas tende a se transformar em um dos principais campos de batalha eleitoral até o dia 25 de outubro.