Terça-feira, 27 de outubro de 2026
Economia

Impostos, salário mínimo e contas: o que pode mudar no bolso dos brasileiros em 2027

Reforma tributária prevê novos tributos e mudanças na cobrança sobre o consumo; valor do novo imposto federal ainda será definido. Veja o que já está previsto e o que continua em aberto.

Impostos, salário mínimo e contas: o que pode mudar no bolso dos brasileiros em 2027

O ano de 2027 deve trazer mudanças importantes na forma como impostos são cobrados no Brasil. A próxima etapa da reforma tributária prevê a entrada em vigor da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), do Imposto Seletivo e a extinção de tributos federais que hoje incidem sobre o consumo.

As alterações podem afetar empresas, comerciantes e consumidores, inclusive em Betim. Mas há uma diferença importante: a criação de um novo tributo não significa, automaticamente, que todos os produtos e serviços ficarão mais caros. O efeito final dependerá das alíquotas, das regras de compensação e dos preços praticados em cada setor.

1. CBS: novo tributo federal começa a valer em 2027

A CBS substituirá o PIS e a Cofins, contribuições federais que atualmente incidem sobre diferentes operações econômicas. A mudança faz parte da reforma tributária aprovada em 2023.

O percentual de referência da CBS para 2027 ainda está em definição. O Tribunal de Contas da União (TCU) tem julgamento previsto para quarta-feira (28 de outubro), enquanto a etapa seguinte envolve a definição do percentual pelo Senado.

O governo estima arrecadar R$ 636 bilhões com a CBS em 2027, segundo a proposta orçamentária apresentada neste ano. Essa estimativa representa a receita projetada para o novo tributo, e não um aumento automático de R$ 636 bilhões na carga tributária dos brasileiros.

2. Imposto Seletivo: quais produtos podem ser afetados?

Outra mudança prevista é a entrada em vigor do Imposto Seletivo, conhecido popularmente como “imposto do pecado”. A proposta é aplicar tributação específica a produtos e atividades considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

Entre os segmentos previstos estão:

  • Cigarros e outros produtos derivados do tabaco;
  • Bebidas alcoólicas;
  • Bebidas açucaradas;
  • Determinados veículos;
  • Extração de recursos minerais, conforme as regras legais;
  • Apostas, dentro das condições previstas na legislação.

A aplicação e o impacto sobre cada produto dependem das regras e alíquotas correspondentes. Por isso, não é possível afirmar que todos os itens dessas categorias terão o mesmo aumento de preço.

3. PIS, Cofins e IPI: o que acontece com os tributos atuais?

A reforma prevê a extinção do PIS e da Cofins com a implantação da CBS. Também está prevista a redução a zero das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a maioria dos produtos, preservando exceções relacionadas à competitividade da Zona Franca de Manaus.

Na prática, empresas precisarão adaptar sistemas fiscais, documentos e procedimentos de cálculo. O efeito para o consumidor dependerá da composição tributária de cada produto e das condições de mercado.

4. E o ICMS e o ISS? As mudanças não acontecem de uma vez

O ICMS, cobrado pelos estados, e o ISS, de competência municipal, fazem parte de uma transição mais longa para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

A substituição ocorrerá gradualmente entre 2029 e 2032. A previsão é que o novo modelo esteja integralmente implantado em 2033.

Isso significa que 2027 será uma etapa importante da reforma, mas não representará o fim imediato de todos os impostos atuais sobre o consumo.

5. Combustíveis e tarifas: os preços vão subir?

As regras da reforma também incluem mudanças na tributação dos combustíveis, com metodologia específica para a CBS a partir de 2027 e para o IBS a partir de 2029.

Entretanto, a existência de novas regras tributárias não permite concluir, por si só, que gasolina, etanol, diesel ou energia elétrica terão aumento automático em janeiro.

Os preços finais também dependem de fatores como custos de produção, distribuição, políticas de preços, condições de mercado e tarifas reguladas. Qualquer previsão de aumento precisa ser sustentada por uma decisão concreta ou por dados específicos.

6. Salário mínimo também pode mudar em 2027

A proposta de Orçamento da União para 2027 apresentada pelo governo federal estimou o salário mínimo em R$ 1.741. Esse valor é uma projeção orçamentária, não uma confirmação definitiva do valor que será pago no próximo ano.

O montante final dependerá da atualização oficial e dos critérios legais aplicáveis. A mudança interessa diretamente a trabalhadores, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas vinculados ao mínimo.

7. O que os moradores de Betim precisam acompanhar?

Para as famílias de Betim, as mudanças podem ter reflexos no orçamento doméstico, no comércio e na prestação de serviços. Ainda assim, não existe um percentual único que permita calcular antecipadamente quanto cada morador vai gastar a mais ou a menos.

Os principais pontos de atenção são:

  • A definição da alíquota de referência da CBS;
  • As regras e alíquotas do Imposto Seletivo;
  • Os reajustes efetivamente anunciados para combustíveis e energia;
  • A confirmação do salário mínimo de 2027;
  • As mudanças na emissão de notas fiscais e na tributação das empresas.

A recomendação é acompanhar as decisões oficiais antes de considerar qualquer estimativa de aumento como definitiva.

O que já está previsto e o que ainda falta definir?

A entrada da CBS e do Imposto Seletivo em 2027 faz parte da legislação da reforma tributária. Já os percentuais aplicáveis e os efeitos sobre preços precisam ser analisados conforme as definições oficiais.

Para o consumidor, a principal questão será entender como a transição será implementada e se os ajustes tributários serão repassados aos preços de produtos e serviços.

O ano de 2027, portanto, deve marcar uma nova etapa da tributação brasileira, com mudanças importantes para empresas e consumidores — mas ainda há definições pendentes antes de ser possível calcular o impacto exato no bolso da população.

Fontes: Receita Federal, Agência Brasil, Ministério da Fazenda e informações sobre a análise da CBS pelo Tribunal de Contas da União.